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Por cá...

Por cá...

Sê agradável...

Hoje, no final do trabalho, parei no café com uma Sra já com alguma idade (e muita sapiência) e juntamo-nos a outras mulheres que já conversavam entre si.

Falavam de relações, das rotinas, dos maridos, das tarefas domésticas, das discussões entre eles e afins... quando a tal Sra. diz de forma calma que os relacionamentos seriam todos melhores, se fossemos agradáveis em casa. E levantou-se logo ali um coro cheio de razão, com motivações várias de que era o que havia de faltar, andar agora qual mulher submissa, de sorrisinho na cara, cabeça baixa e que isso era mas é no século passado.

Entendi um pouco todas estas mulheres, afinal de contas, a minha casa é o meu refugio, é para onde eu volto ao final do dia com as frustrações todas, com as lágrimas que não cairam porque não estava em local próprio e tive que as segurar, com as derrotas do dia, a discussão com fulano, a conversa menos boa com o cliente e por aí... Eu chego a casa, quero despir a armadura, dizer as asneiras que não pude dizer ao tal fulano, mandar à merda o tal cliente, chorar e descarregar.. Chego a casa sem paciência nenhuma para tretas ou merdices e quero é espaço. Mas, e era isto que a Sra. queria dizer e depois explicou: não é quem vive comigo que tem que levar comigo assim todos os dias. Porque eu vou ter muitos dias maus. Porque, o mais certo é que nem tudo corra sempre bem todos os dias... 

E somos geralmente sempre mais agradáveis com os amigos, com as visitas, com os colegas de circunstância ou de trabalho do que com a pessoa com quem vivemos. Tratamo-los quase sempre melhor.

Concluindo, acredito que sim, que podemos chegar a casa e tirar a armadura, deixar cair o sorriso, dizer olá à tristeza e tudo o resto, mas também acredito que seja possível faze-lo sem nos tornarmos pessoas amargas e desagradáveis. Temos o direito de estar tristes, cansados e sem paciência, mas isso não nos dá o direito de ser crueis com ninguém, muito menos com a pessoa com quem escolhemos partilhar os nossos dias.  Por isso sim. A D. Lourdes tem razão: as relações seriam melhores, se fossemos um pouco mais agradáveis. 

 

(Com isto não quero dizer que, em dias daqueles mesmo mauzinhos, uma pessoa não tenha direito a explodir. Somos humanos e acontece. Nesses casos, espera-se da pessoa que está connosco compreensão. Um abraço e a promessa de que vai ficar tudo bem! Só que realmente, isto deveria ser uma excepção e não a regra)