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Por cá...

Por cá...

That's me

Há 12 anos atrás, quando a minha mãe morreu eu não chorei. Tinha 11 anos e não chorei no funeral, e nem nos dias que se passaram. Quando chorava, fazía-o apenas escondida e muito baixinho para que ninguém soubesse. Nem o meu pai. Ninguém.

Disseram-me para não o fazer. Não chores que a mãe quer que sejas forte. Não chores que já és uma menina grande e a mãe não ia querer que chorasses. Faz isso por ela.

Também deixei de brincar. Tinha que ajudar o Pai e a Avó. Tinha que fazer os trabalhos de casa e depois tinha que ajudar os outros. Disseram-me que eu não podia ser como os outros meninos, mas para não ficar triste por isso, porque senão o pai também ficava triste. E a mãe também que me via lá do céu. E eu não ia querer que a mãe ficasse triste!

E então, eu cresci a engolir as lágrimas, fui conduzindo a minha vida por aquilo que me ensinavam, moldei-me pela educação que tive... se foi certa ou errada, não interessa agora. Cresci a pensar nos outros, com a ideia de que era assim que tinha que ser - nunca questionei estas regras. Aos 11 anos não questionamos a edcação que temos. E depois de uma perda, de um luto, muito menos. Queremos é que o tempo passe, e eu fui fazendo que me diziam. Engolia lágrimas, escondia brinquedos, lavava a loiça e aspirava o chão. Fazia o que avó mandava, o que o pai pedia... apenas isso!

Se hoje sou a pessoa que sou, se sou determinada e tenho a personalidade forte que tenho e se defendo as minhas ideias e as minhas convicções com garra, foi porque também fui muito solitária e por isso, fui-me apercebendo que sozinha, sem a ajuda de ninguém, sem lições e conselhos pseudo-sábios que conseguia chegar onde queria, fui-me cimentando... Mas nunca deixei de me colocar no lugar dos outros. Nunca deixei de pensar como seria se eu estivesse do outro lado.

Alguns chamam a isto compreensão, eu acho que é apenas uma parte da minha personalidade, quando o faço, não é na tentativa de compreender alguém, mas sim, na tentativa de ser justa. Tanto comigo mesma, como com os outros. Lá está: penso nos outros!

Por isso dizerem-me agora para pensar apenas em mim, para esquecer e deixar a sorte (para quem, ao contrário de mim acredita nela) fazer o seu trabalho, é a mesma coisa que me dizerem: Esquece tudo o que te ensinamos, esquece quem és e sê outra pessoa!

E quem me conhece, sabe que isso eu não sei fazer. Não que não queira... apenas não sei mesmo!

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