Reparei que nos últimos tempos deixei de fazer muitas das coisas que mais gostava de fazer.
Ando sempre demasiado ocupada com coisas que geralmente ao final do dia, eu já não sei bem o que foram, mas que me obrigaram a andar de um lado para o outro e me retiram tempo para o resto. E esse resto fazia-me tão bem, bolas.
Esse resto que há uns tempos era tudo. Eram os livros, a meditação, as caminhadas…as coisas que me faziam bem e que eu agora nem em 2º plano as pus. Não as pus em plano nenhum aliás.
O que é certo é que estes dias, com tudo o que me aconteceu, pus-me a pensar nas coisas que me fazem feliz no dia a dia. Desesperadamente.
Porque precisava de encontrar uma restiazinha de luz, pensei no que é que me fazia sentir bem para que eu pudesse ter onde recorrer naquele momento. Calcei uns ténis e fui caminhar com a minha irmã pela cidade. E este fim de semana quero estar com gente boa e por isso já falei com amigos para aparecerem para jantar. E já pensei nos livros que quero acabar de ler.
Preciso tanto, tanto de me encontrar em paz. Preciso tanto de parar, recolher-me e ficar ali, nem que seja só um bocadinho para ver se o coração desacelera e a esperança se renova. Preciso tanto de acreditar mais uma vez que as boas notícias também vão acabar por chegar.
Daquelas bem feitas, vindas de onde menos se esperava (ou pelo menos assim acreditava. Ou fazia por acreditar, já nem sei).
Oscilo entre o desespero, a pena de mim própria, a vergonha e o medo.
De um dia para o outro vi-me afogada em culpas e dívidas e vergonha alheias… E agora, com os estilhaços no colo vou ter que os colar todos…um a um.
Repensar hábitos, refazer rotinas e tentar manter a força e a fé no meio destes escombros todos…
Mas eu sei que vou ultrapassar isto, afinal de contas, depois de um Inverno, por muito tempestuoso que seja, vem sempre uma Primavera.
Para já, resta-me arregaçar as mangas e ir à luta… acreditar que isto me vai tornar mais forte, vai servir para arrumar a minha vida e certas coisas e pessoas no seu devido lugar. Algumas vão ter que saltar fora e outras vão ter um lugar especial cá dentro (sim, no meio disto tudo, há surpresas boas também).
Vou ter que abdicar de muitas coisas, coisas que para eu poder ter, tive que abdicar de outras, mas enfim), vai correr bem.
E os Óscares ah? Falto eu naquela selfie pá… ao lado do Jared. Ou do Cooper…
Mas tive coisas importantes a resolver, por isso agradeci o convite, mas fui obrigada a recusar. O cilindro está finalmente reparado, pelo que pensei que agora podia respirar fundo e seguir com a minha vidinha, sacar de um manguito à Edp e ser feliz.
Só que o destino acha que isto é para meninos e as minhas costadas aguentam muito mais… vai daí que as finanças me mandam 4 (quatro! Four! Quatre!) cartas com umas continhas simpáticas para eu pagar. De umas merdas de 2010 que eu nem sabia que metiam finanças… nem sabia de nada a bem dizer.
3ªfeira de Carnaval, aproveitando que eu fazia ponte e o serviço de finanças trabalhava, achei por bem lá passar, crente de que isto se resolveria… saber prazos, se poderia pagar fraccionado, essas coisas… Pois que não eram 4 cartas, porque afinal eu tinha lá mais 3 à minha espera, todas com 10 dias para pagar… assim, sem qualquer outra possibilidade que não essa: Pagar a totalidade em 10 dias!
Sim, eu, mais do que qualquer brasileira do Rio, passei o Carnaval de tanga! Ironia, ah?
Saquei da calculadora em frente à funcionária e toca a fazer contas enquanto entrava em desespero e lhe explicava que em 10 dias não iria conseguir pagar aquilo tudo, a menos que deixasse de comer.
Simpaticamente acalmou-me e disse: ‘’Tenha calma menina…não vai agora deixar de comer. Há mais na vida do que trabalhar para pagar impostos!’’ Oi? É de mim, ou está a escapar-me alguma coisa?
‘’Pague hoje o que puder; o que não puder olhe, deixe o processo correr e logo se vê!’’
Questionada sobre o que poderia acontecer se o processo corresse:
‘’Aumentam-lhe as custas, procuram os seus bens e procedem à penhora! Ou do ordenado ou da conta bancária. E pronto, acaba por pagar tudo dessa forma!!
Ah bom, seu tivesse percebido à primeira que era assim tão fácil resolver a coisa nem me tinha chateado. [Risadinha de alivio - NOT]
Desci e pedi para pagar uma parte, a parte que eu podia na altura. Pois que ss referências não estavam a funcionar e pediram-me para voltar em 2 dias!! No comments!