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Por cá...

Por cá...

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Ando em baixo. Não sei explicar bem porquê, mas ando meio perdida nestes dias. Não me reconheço e isto é tão estranho, porque se há mudanças que com a maternidade eu aceitei tão bem em mim, outras há em que não me sinto nada eu. Ando aqui meio à deriva num corpo que aprendi a gostar e a aceitar, mas que está diferente. Numa cabeça cheia de planos e objectivos em mente, mas que oscila entre uns e outros, com ideias que nunca pensei vir a ter. Deve ser uma crise existencial. Hormonas ou ainda pós parto, não faço ideia.

Olho pra mim e confesso: tanto me admiro como me detesto. Tanto me reconheço como boa mãe (a minha bebé é feliz, nunca esteve doente, é activa, esperta...) como tenho uma necessidade de justificar cada passo que dou ou cada opção que tomo. 

Porque no mesmo dia aceito que não consigo fazer tudo e está tudo bem, como me sinto o pior dos seres porque falhei. Porque todos os dias me levanto e traço um plano, mas ao mesmo tempo sou capaz de o passar de pijama, ainda que em frente ao computador a trabalhar.

Depois... o cabelo que cai, a cabeça que dói, a gripe que se instalou, as dores - de costas, nos braços, no ombro... -  a insónia e o sono leve (ainda que a amorinha durma a noite toda...) 

Confuso?! Eu sei, por isso mesmo vou apenas tentando manter-me à tona. Evitando falar para que não me perguntem o que se passa, porque eu nem saberia responder, na expectativa que entretanto o alvoroço se aquilibre. Mais do que naqueles breves momentos em que ela me sorri - porque aí, eu sei que está tudo bem, nada mais interessa e estou no caminho certo. Sem quaisquer questões 

 

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Aquilo de sermos trabalhadores por conta própria e por isso podermos fazer o nosso próprio horário é uma mentira. Juro. Principalmente quando se trabalha na área da prestação de serviços, como é o nosso caso.

O L. tem trabalhado até mais tarde, inclusivamente aos sábados. Anda completamente apaixonado pela filha e então, sempre que chega a casa, dedica-lhe quase 100% do seu tempo. Quando vamos a casa de familiares ou amigos, é frequente ser ele a levantar-se quando ela chora. Dá-lhe o biberão, muda-a, acalma-a... enfim.

Mas ainda notamos muito a mentalidade de que tem que ser a mãe a fazer isso tudo... alguns olham para mim de lado. Outros fazem comentários... e no outro dia, já um bocado farta dos mesmos não me contive.

Estavamos em convivio quando ela chora. Ia a levantar-me quando ele me diz para deixar estar que ia ele ver o que se passava. Ouço logo um: ''Que sorte, ele ajuda-te com a bebé!''

Oi? Sorte? Mas então não era suposto ser assim? 

 ''Pois é, ele é o máximo! Acreditas que também come sozinho, sabe usar os talheres e ainda se limpa quando vai à casa de banho?''

 

A importância de sabermos o nosso valor

Uma das minhas maiores dificuldades quando me lancei por conta própria, foi a de precificar o meu trabalho. No inicio, ia dando ajuda em processos de pessoas que me conheciam e quando não conseguiam resolver o problema me pediam ajuda. Inicialmente, não vi problema nenhum nisso e até ia resolvendo os processos de bom grado. 

Com o tempo, vi que quando tinham que contratar ou adquirir algum produto, não era para mim que ligavam. E a conversa do ''olha, tive um acidente e agora aquilo está parado, ajudas-me por favor? Como é que eu hei-de fazer? O meu mediador não atende ou está de férias...'' começou a ser muito frequente. E lá ajudava eu, com a premissa de que estava em inicio de actividade, era uma forma de mostrar o meu trabalho e podia ser que conseguisse angariar clientes... só que não.

Houve então um dia em que do outro lado a pessoa chegou a pedir-me pelo messenger para ser eu a ligar-lhe para assim não ter que pagar a chamada... Isto num domingo à noite. Porque o mediador estava de férias e já há não sei quantos dias aguardava por uma resposta... O L. chamou-me a atenção. Que não podia ser, que isso era eu a trabalhar de graça e se fazia esse tipo de trabalho a pessoas que não tinham contratado os produtos comigo, então era justo que cobrasse.

Confesso que andava/ ando super desmotivada com a actividade, um pouco por causa disso. Ninguém gosta de trabalhar de graça, e a minha formação e percurso até aqui também me custou tempo, dinheiro e esforço.

Vai daí, outra das mudanças para o novo ano é alargar a actividade à area da consultoria e cobrar por esse meu trabalho. Se eu não o valorizar, as pessoas também não o farão. Ainda hoje, me lembrei de um cliente que tinha ficado de contratar comigo o seguro para a nova anuidade, uma vez que lhe tratei de todo o processo durante o ano passado enquanto o mediador, a quem ele comprou o contrato estava no gozo de férias. 

 

Este meu medo de cobrar pelo meu trabalho estende-se a outras áreas... durante a gravidez, fui-me entretendo com projectos DIY e algum artesanato aqui para casa, mas houve pessoas que gostaram das coisas que eu fui fazendo e foram-me pedindo igual. Quando dei por mim, estava a oferecer ou a cobrar apenas o material que gastava, ao mesmo tempo que pedia desculpa por ter que o fazer... Mais uma vez o L. chamou-me a atenção. Diz que tenho que valorizar o meu tempo, o meu esforço e dedicação... e tem razão. Modéstia à parte, sei que sou boa no que faço e esta minha atitude só serve para desvalorizar o meu próprio trabalho e consequentemente, chegar ao final do dia a sentir-me sem qualquer valor.

 

 

Foco, menina, foco...

Segurem o gajedo que baixou em mim, por favor.

Durante o ano passado, sem pressões ou objectivos concretos, pouca roupa e coisas relacionadas (entenda-se acessórios, calçado e por aí) comprei. Fui controladinha e pouco me deixei levar pelas tendências e lojas e quejandos...

Mas este ano, após estabelecer um objectivo de poupança e definir que não compro nada disso, baixa-se em mim uma necessidade urgente de ir às compras... não tenho nadinha para vestir, juro!

De repente comecei com a sensação de precisar meeeeesmo de uma blusa nova porque não tenho nenhuma daquela cor. E uns brincos do modelo x para usar com a blusa claro. Ah, e um chapeu. Não tenho nenhum. E não tenho nenhum porque não uso chapeus lá está... mas de repente lembrei-me que era mesmo giro ter um.

É aquela coisa do fruto proibido sabem? 

Embrace

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Vi este documentário ontem e recomendo a toda a gente. Não prometo que com isto vamos passar a adorar a nossa imagem ao espelho e a aceitar o nosso corpo assim num golpe de mágica. Mas ajuda-nos a perceber melhor as nossas inseguranças e pelo menos a mim, ajudou-me a gostar do meu corpo pelo que ele me proporciona. Digamos que é um bom ponto de partida.

Apesar de estar com o meu peso de antes de engravidar, não escondo que não estou na minha melhor forma, a flacidez instalou-se aqui em diversas zonas e houve partes do meu corpo que mudaram, sem qualquer sombra de duvida ou espaço para discussão. 

Mas o meu corpo passou por um processo complexo. Durante 40 semanas o meu corpo gerou um ser. Gerou, nutriu, protegeu e alimentou. Alimentou esse ser ainda depois das 40 semanas de gestação e para que ele nascesse passou por todo um processo fisiológico brutal. Como não lhe estar grata? Como não gostar dele e trata-lo bem? Acho que a aceitação passa por aí. Gostar do nosso corpo pelo que ele nos proporciona e trata-lo bem - com isso cuidar dele, com aquelas coisas todas do exercicio fisico e da alimentação equilibrada. Mas para o nosso bem estar e não numa tentativa de o mudar. A mudar será a nossa mentalidade e a autora foca bem isso quando explica que após treino intenso e dietas rigidas, não se sentiu minimamente mais feliz com o corpo dito perfeito. A mudança será interna.

Foi bom ter-me cruzado com este filme. Está no netflix para quem quiser espreitar

expectativa vs realidade

Durante estes fins de semana, e dado que o homem trabalha aos sábados, saí algumas vezes com uma amiga minha, também ela recém mamã. Como é normal, a maior parte do tema de conversa é a maternidade, trocamos ideias, opiniões e afins... Um dos ultimos temas de conversa foi o que aprendemos no curso de preparação para o parto e a realidade. Em muitos aspectos, aquilo que nos é dado nestas aulas, não é depois aplicavel na prática.

Dada a depressão que me diagnosticaram em 2015/2016 e o facto de ser uma pessoa por norma bastante ansiosa, tive muito medo da tão falada depressão pós-parto. 

Durante a gravidez ouvi de tudo: coisas que correram muito bem, outras que correram mal e por não ter criado qualquer expectativa, acho que as coisas me correram bem, por isso mesmo.

Em relação à amamentação, a forma como a transmitem nesses cursos é demasiado fundamentalista na minha opinião, com ideias muito complicadas de por depois em prática. E em relação ao parto idem. e isto, quando se apanha uma mãe mais insegura que não saiba filtrar bem as coisas, pode tornar-se bastante perigoso.

Acho importante toda a informação e nunca a mesma peca por excesso, mas acho que as coisas podiam estar mais adaptadas à realidade.

Quando estava na sala de expectantes à espera que a amorinha nascesse, as dores foram-se intensificando até eu chamar uma enfermeira. Perguntou-me logo se não tinha aprendido no curso formas de alivio da dor. Que tinha que por em prática o que aprendi... Ora, eu até ia caminhando, mas ali, fechada naquela sala, presa à cama com o ctg ligado não dava. Nem isso, nem a bola de pilates. O parceiro não podia entrar por isso a massagem estava fora de questão e já nem falo da banheira ou do duche... pois! 

Em caso de rebentarem as águas, segundo o curso, não há necessidade de irmos logo ao hospital... ora, após me rebentar a bolsa, fiz tudo como aprendi: comi alguma coisa leve, duche, preparei as coisas cuidadosamente e fui com calma ao hospital. Chegada lá, levei com a conversa que devia ter ido logo, mal as águas rebentaram (estava no supermercado, ainda fui pagar as compras toda molhada... pela primeira vez ninguém me ignorou na fila, ah ah ah).

Estes são só alguns exemplos, mas em conversa com essa amiga, notamos outros. E infelizmente conheço outros casos de mães que desesperam porque as coisas não lhes correm como aprenderam. Uma delas teve bebé em Julho e não sai de casa desde então... outra está em depressão por causa da culpa de não conseguir amamentar. 

Fundamentalismo nunca é bom, com bebés então ainda menos. Não são todos iguais. Nós, mães, não somos todas iguais... nem tudo funciona connosco de forma igual ao vizinho do lado e é importante aceitarmos isso. Que o nosso bebé não é perfeito (por muito que assim nos pareça), e nós também não. E não há mal nenhum nisso.

 

3 meses

No passado dia 11 o meu docinho fez 3 meses.

Sobrevivemos ao primeiro trimestre e eu continuo apaixonada por isto que é a maternidade. Agora percebo todos aqueles clichés que ia desdenhando até então... :)

Sorri muito a Infanta. Tem uns olhos enormes e expressivos e uma boca tão perfeita que todos dizem parecer ter sido desenhada a lápis. Adora musica e por maior que seja a birra, a mesma quase sempre acaba na hora em que a musica começa. 

O meu colo é o melhor e eu gosto de acreditar que me entende quando falo com ela. Geralmente olha-me atenta e sorri em resposta. 

Dorme a noite toda. Sempre dormiu. 

Começa a agarrar nos objectos e por ser muito curiosa é uma delicia vê-la a tentar chegar com a mãozinha a todo o lado. É simpática e bem disposta, por norma distribui sorrisos a quem lhe falar... vai a qualquer colo mas não me larga com os olhos. 

Andei a adiar este post por ser mais um cliché, mas a verdade é que não há como fugir... a minha amorina está a crescer e eu estou de dia para dia mais apaixonada.

No shopping

Na sequência de uma demissão de um emprego tido como certo e estável, vem a necessidade de poupança e controlar gastos. De há uns tempos para cá, tenho tentado reduzir alguns gastos e fazer uma poupança. A ideia é organizar as minhas finanças e ter um pé de meia para a eventualidade de alguma emergência surgir. 

O principal gasto foi na roupa/ sapatos/ acessórios/ maquilhagem... enfim. Coisas de gaja. Já fui mais consumista e passei mesmo pela fase do ''estou mesmo a precisar de uma blusa igual a esta'' ou ''um vestido destes dá com tudo e é intemporal, nem é uma compra, é um investimento!!'' Sério!! 

Agora sou mais ponderada e confesso até que não tenho a minima paciência para andar de loja em loja, sinto-me cansada e pesada no centro comercial, compras online geralmente ficam a meio porque não tenho pachorra para andar de clique em clique... enfim. 

Continuo vaidosa e gosto de me arranjar, volta e meia lá compro um mimo para mim, mas agora isto acontece com muito pouca frequência. 

[Este fim de semana dei uma volta pelos saldos... gastei tudo com a Infanta. Não resisto a um folho! E as recentes colecções ajudam muito na poupança - entre mangas de balão, camisolas sem forma e enormes, bordados a imitar os paninhos da loiça do antigamente, casacos e fatos que parecem o pijaminha de cetim e o robe dos anos 90 e os chinelos de pêlo com orelhinhas, é muit fácil não gastar um tostão em nada...]

Mas o objectivo deste post é exactamente esse: as vezes em que me mimo. Sem precisar.

Esta semana, após um passeio pelos saldos sem ver NADA que gostasse, acabei por comprar um casaco. Não custou uma fortuna e é giro e quentinho, confortável e dá um jeitaço neste tempo de chuva... Mas a verdade é que eu não precisava do casaco e trouxe-o apenas porque sim. E estou irritada com isso. 

Confesso até que andei de um lado para o outro à procura de alguma coisa, uma coisa qualquer para comprar. Estupido eu sei... e agora sinto-me até meio culpada.

Mas adiante... uma das resoluções para 2018 é mesmo a redução deste tipo de compras. A verdade é que desde que o comecei a fazer, a minha relação comigo mesma até mudou para melhor: sinto-me bem com o que visto (ainda que não apareça em blogs de moda), tenho mais espaço em casa, quase que não tenho a sensação de que não tenho nada para vestir, ganhei mais apreço pelas minhas coisas... e a culpa por ter gasto x€ naquela peça quase que desapareceu (quase, porque situações como as que contei ainda acontecem).

Por isso lá está: vou tentar reduzir ainda mais o meu consumo por esses itens. Vou dando o feedback por aqui ao longo dos dias. 

 

Ideias e projectos para 2018

2017, com a gravidez foi um ano quase sabático. Engravidei logo no inicio do ano e a bebé nasceu no fim. Os ultimos 2 meses foram com ela em casa e por enquanto assim continuo, a aproveitar estes dias e sem qualquer pressa que a licença acabe.

Mas a verdade é que também já começo a sentir falta de sair de casa, de ter um emprego, horários, rotinas... digamos que estou completamente dividida nos meus sonhos. Se por um lado a rotina e um emprego fixo me começam a fazer falta, por outro a ideia de não ter horários e poder estar em casa com a minha menina é como um oásis no deserto. 

De qualquer forma, existem algumas coisas que eu gostava de fazer entretanto, com o inicio do novo ano, é inevitável não pensarmos em projectos novos, e o gosto pelo artesanato e os Diy's que começaram na gravidez têm funcionado como um espécie de terapia, mantendo-me ocupada e focada em algo ao mesmo tempo que me relaxam, por isso gostava de aprofundar mais a coisa. Workshops, mini-cursos... vou procurar e por a hipotese em cima da mesa.

 

Em 2015, após o grito do Ipiranga e da demissão do meu anterior emprego, decidi lançar-me por conta própria. Não é um projecto que eu queira deixar para trás, mas confesso que a área em questão tem sofrido alterações e eu sinto-me muito desmotivada. Quase que não reconheço a forma de estar e de trabalhar nas entidades, contudo, pretendo continuar, acreditanto que é apenas uma fase, consequência do mercado. Apesar disso, vou tentar investir noutra área, uma da qual me desviei no tempo em que estudava. wish me luck